01/03/2016

CRÔNICA #005 - Fusilli ao alho e óleo


Assistir um filme. Pausar o filme em uma cena de degustação de Gyros. Descobrir que existe um molho chamado Tzatziki. Continuar assistindo o filme até o fim. Descobrir que o filme foi uma adaptação de um romance gráfico. Ver resenhas audiovisuais sobre o quadrinho. Ver outras resenhas sobre outros livros. Criar uma lista dos meus livros lidos. Decepcionar-se com o tamanho da lista. Pegar um livro de crônicas com seis textos para concluir a leitura completa. Escutar a barriga pedindo um Gyros com Tzatziki. Ir em busca do alimento. 

A esta altura o leitor perspicaz já deve ter notado que não comi um Gyros, muito menos com molho Tzatziki. Afinal, em plena madrugada seria difícil sair pelas ruas da cidade em busca de um lugar que vendesse esta iguaria, que na realidade seria ainda mais difícil de encontrar pelo Brasil, já que se trata de uma comida de rua grega, e que pelo que vi no filme, popularizou-se na França. 

É um pãozinho redondo e fino que é recheado por alface, tomate picada e cebola – de preferência roxa, pois fica mais colorido e apetitoso. Acrescenta-se a carne: boi, frango ou kafta. Aqui seria possível encontrar uma leve semelhança com o churrasquinho grego (greco-brasileiro), que certamente foi inspirado no Gyros. Mas o segundo é bem mais elaborado que um pão francês com vinagrete e carnes cortadas de um espeto vertical e giratório. Talvez o nome Gyros venha desse espeto. 

O pulo do gato está justamente na próxima fase da receita, após os vegetais e a carne, acrescenta-se o tal molho, que leva iogurte – pode ser grego, para fazer jus ao nome – e pepino ralado. É isso mesmo, descobrimos outra forma de comer pepino.

Finalmente embrulha-se o pão com os ingredientes, de uma forma que ele fique parecendo um tubo. Isso pode ser feito com a ajuda de papel manteiga ou alumínio. Daí em diante as variações dependem da fome, você pode levar ao forno rapidamente, para dar uma leve tostada no pão, ou já abocanhar o cilindro. 

... 

Levanto da cama, coloco o computador na mesa e vou até a cozinha. O livro de crônicas e uma caneta vermelha me acompanham. Penso que é possível cozinhar e ler ao mesmo tempo. Enquanto a água do macarrão ferve, leio uma. O alho já está cortado em minúsculos pedacinhos. Água fervendo, acrescento o Fusilli, mexo com um garfo. É tempo de correr para a mesa e ler outra crônica, sempre marcando uma bolinha com a caneta vermelha ao lado de cada título. Agora faltam apenas quatro. Parafusos cozidos, os escorro, refogo o alho no azeite e acrescento o macarrão. Pego um prato marrom e sirvo o Fusilli. Enquanto ele esfria, mais um texto. Desta vez um apêndice que fala sobre a vida do cronista. Por fim, degusto o prato da madrugada. 

Ao término da refeição, restam quatro crônicas para a conclusão do livro. Mas não as lerei agora. Quem sabe amanhã. Este livro me acompanhou por algumas viagens e passeios por aí. Ler e marcar uma bolinha com a caneta vermelha ao lado do título tem sido um prazer, sobretudo quando foi preciso esperar por algo ou alguém. Não irei marcar todas as bolinhas que tenho direito de uma só vez! Muito menos para preencher uma lista. 

Anthony Almeida | 01.03.2016

4 comentários:

  1. Preciso ler mais vezes pra descobrir os dois segredo, rsrs...
    Aqui estive pra ler minha primeira crônica, salvei,voltarei.
    Até breve ass.apenas conversa.��rsrs

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